terça-feira, 8 de novembro de 2011

Competitividade Beneficia a todos - Fernando Coloneze

Texto enviado por um leitor especialmente ao blog MKT Esportivo:
Tive a experiência de ter vivido nos E.U.A. por 6 anos, jogando basquete com bolsa de estudos nos níveis de high school (colegial), junior college e universitário divisão 1, onde pude obter minha formação em Administração e um MBA em Marketing. Durante esse período, vi e vivi a paixão dos americanos por esportes. Vi de perto a preocupação com a organização, com o atleta e com a competitividade, aspectos que, aqui no Brasil, ainda estamos muito atrasados.
Vejo melhorias nos dois primeiros que mencionei, mas pouco se fala em relação a se assegurar a competitividade das ligas esportivas. Praticamente, não existe mecanismo algum que tente assegurar o equilíbrio entre as equipes, de forma que se dê chance para que a maioria delas consiga chegar ao título da competição.
Porquê isso é importante? Porque sem competitividade, não há interesse do público. O expectador só se mantém na frente da tv, paga ingresso para o jogo, ou acompanha pela internet se ele não tem certeza de quem será o vencedor. Essa é a magia do esporte. O inesperado! O fato de que tudo pode acontecer.
A NBA, a NFL e a MLB tem sistemas de draft (escolha de atletas estreantes), sistemas de tetos salariais e sistemas de trocas de atletas regulamentadas, que visam a manutenção da competitividade. Temos que aprender com alguns desses exemplos, adaptando-os a nossa realidade e cultura e pensar outros mecanismos que estejam sempre incentivando o equilíbrio.
O basquete com a NBB e o vôlei com a Superliga Feminina, são dois exemplos de como a falta de competitividade atrasa um crescimento ainda maior dessas ligas. O expectador/consumidor já espera que Brasília ou Flamengo levem o título na NBB e que Osasco ou Rio de Janeiro levem na Superliga.
Você pode dizer que é mérito dessas equipes e que elas não tem culpa de serem melhores que as outras. Sim, isso pode ser verdade, mas existem outros fatores que tem que ser levados em consideração. Talvez a cidade em que elas estejam seja maior, com mais empresas que possam investir ou talvez o clube também seja clube de futebol, como é o caso do Flamengo, o que facilita a obtenção de maiores patrocínios. Porém, o principal fator é que essas equipes também perdem com o não crescimento das ligas.
Tem que se entender que, mesmo que a fatia do bolo seja um pouco menor, pode-se garantir que esse bolo esteja sempre crescendo com muito fermento. O retorno para o clube e seus patrocinadores seria muito maior a médio e longo prazo. Pode acontecer que outra equipe supere essas quatro nessa temporada? Sim, mas cabe às ligas pensarem constantemente em mecanismos que mantenham as chances de título de todos os participantes as mais próximas possíveis.