terça-feira, 22 de novembro de 2011

Falta psicólogo para conversar sobre, diz técnico de basquete do Fla


22/11/2011 16h50 - Atualizado em 22/11/2011 17h21


Treinador do time sub-19, Marquinhos 

sente falta de um psicólogo esportivo 

nas equipes de base. Pesquisador diz 

que álcool gera conforto aos jovens

Por SporTV.comRio de Janeiro















Técnico do time sub-19 de basquete do Flamengo, Marquinhos se divide 
em muitas funções. Faz papel de treinador, psicólogo e amigo dos atletas.
 Preocupado com o uso de álcool nos jovens jogadores, ele está de olho e
 tenta acompanhar de perto. Para ele, seria fundamental um psicólogo esportivo
 para acompanhar os atletas da base. (Veja no vídeo ao lado)
- Te confesso que nós não paramos em um momento para conversar, a gente
 conversa individualmente. Uma situação em que você vê o garoto um pouco
 mais arriado, sem aquele afinco no treinamento, ai você nota alguma coisa.
 Falta, não no Flamengo, mas em toda estrutura no basquete brasileiro e no 
esporte da base, um psicólogo esportivo para ver essas situações. No fundo,
 mesmo no Flamengo, que é uma tremenda equipe, você acaba fazendo de tudo 
um pouco. Isso não é legal. Você mistura. O meu foco é quadra, trabalho tático,
 técnico, individual, mental. Mas se você ficar preocupado com outras coisas é mais 
complicado - disse em entrevista ao "SporTV Repórter" .
Uma variável nesse cenário é a condição social do atleta e a modalidade em
 que ele compete. Antônio Lancha Júnior, pesquisador da Escola de 
Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP) garante que,
 em alguns casos, a bebida gera conforto para o atleta.
- Existe uma relação muito estreita, e vários estudos mostraram isso, que 
naquelas modalidades onde a ascensão sócio-econômica é muito rápida e o
 atleta vem de um nível sócio-econômico muito baixo, existe sempre alguma
 coisa como a bebida que aparece para gerar um certo conforto a essa nova vida
 que o atleta passa a ter. Então, varia muito de modalidade para modalidade. 
Aquelas que têm mais visibilidade e, conseqüentemente,
 mais retorno financeiro, você passa a ter maior incidência de bebida alcoólica, sim.












Assim, na base, o jovem não enfrenta apenas a adolescência, mas
 a possibilidade de mudar de classe social através da profissão.
 Quando o sonho se torna realidade, a experiência de excessos
fica ainda mais perigosa, diz o psiquiatra Içami Tiba.
 (Assista à íntegra do programa no vídeo ao lado)




- Quando o adolescente vem de uma camada mais simples e os pais são humildes,
 ele vai ter que enfrentar várias situações, porque ele vai ser levado para um ponto
 que ele jamais pensou que chegaria. Ele sonhou que chegaria, mas nunca pensou
 em realizar. Ele vai se entrosar, vai ser visto, vai ser celebridade, vai ter uma
 responsabilidade que ele esperava não ter. E tudo isso sobrecarrega. No esporte,
 ele precisa colocar para fora toda a sua energia e, às vezes, eles são tímidos.
 Se ele tiver entre 14 e 16 anos, é a idade da vergonha, a idade que ele está mudando
 o corpo dele e ele precisa de algo a mais para mostrar tudo o que ele é capaz de fazer. 
Se não, ele fica tímido, fica com medo da avaliação dos outros, de ser expor.
 E aí ele não rende o que ele gostaria de render ou que poderia render.