sábado, 12 de novembro de 2011

MAGIC JOHNSON: 20 ANOS COMO EXEMPLO


12/11/2011 15:40 h
Não há dúvidas que Earving Magic Johnson foi um dos maiores jogadores que já participaram do jogo de basquete.
 
Sua carreira fala por si: 19,5 pts, 7,2 rebs e 11,2 asts por jogo. 5 títulos da NBA, um da NCAA, campeão olímpico em Barcelona 92, MVP de tudo.
 
Não fosse MJ, seria muito difícil decidir quem teria sido o maior jogador de basquete de todos os tempos sem que Magic fosse o meu favorito.
 
Jogamos contra ele e a sua Michigan State University, aqui mesmo no Brasil, no início da temporada de 78-79, nos amistosos de preparação para o Mundial das Filipinas (fomos bronze, com aquela cesta).
 
O jogo aconteceu na A Hebraica e perdemos na prorrogação. A atuação de Magic foi tão boa (redundância), que um diretor do Monte Líbano o convidou para atuar naquele clube.
 
Naquele ano eles foram campeões da NCAA após derrotarem a Indiana State University, de Larry Bird (outro que tinha orgulho em imitar) numa partida que ficou para história.
 
Aliás, o duelo Magic x Bird foi o que trouxe a sofrida NBA dos anos 70 (drogas, álcool, ABA, etc.) para os anos dourados da década de 80, 5 a 3 para Magic e proporcionou o surgimento de MJ, a estrela máxima do nosso esporte.
Nas Olimpíadas de Barcelona em 1992 ele se contundiu e não tivemos o prazer de vê-lo atuar.
 
De qualquer maneira, em 97 tivemos a oportunidade de fazer 5 jogos contra o seu time de estrelas, que enfrentou os campeões do Pan-87 numa série de partidas que terminou no Rio de Janeiro.
 
Conseguimos ganhar o primeiro jogo em São Paulo, o que o deixou um pouco contrariado, a ponto de não perder mais nenhum e participar de todas as bolas decisivas (o que não fez em SP).
 
Terminada a série, fomos jantar num pequeno restaurante em Copacabana e Magic foi muito simpático com todos que estavam ali.
 
Perguntei-lhe sobre esse fato de decidir os jogos e ele me respondeu que analisava todos os jogadores em quadra e sempre encontrava o ponto fraco do adversário e o ponto forte de seus companheiros para decidir se era ele que iria para a cesta ou se daria a assistência para o jogador que tivesse a vantagem sobre seu marcador naquele momento.
 
Uma lição não só de jogo, mas de vida.
 
Nessa semana, fez vinte anos que Magic encerrou sua gloriosa carreira após saber que contraíra o vírus HIV.
 
Em uma declaração emocionada para o mundo, Magic anunciou com muita sinceridade sua doença e imediatamente começou uma companha nacional para que esse mal fosse combatido.
 
Está claro que ele é uma testemunha viva de que o vírus HIV, se o paciente toma as devidas precauções, é hoje uma infecção perfeitamente administrável e não implica necessariamente em perda da qualidade de vida.
 
Na verdade o que mata é o preconceito, a culpa e o ressentimento, que leva ao portador dessa doença a tentar escondê-la e, portanto, não tomar as medidas que mitigariam seu problema.
 
Magic foi um exemplo para todos, portadores ou não e o é até hoje.
 
Muito interessante, entretanto, foram as entrevistas que deu durante essa semana, onde se recordou daqueles terríveis momentos por que passou.
 
Pudemos assistir as declarações de uma pessoa saudável, vencedora, que passou sim por situações nas quais enfrentou críticas e preconceitos (além da própria doença, é claro) de muita gente, mas que não guardou mágoas e seguiu em frente.
 
Disse que não guardou ressentimentos nem de Mark Price ou de Karl Malone, companheiros de profissão, que declararam não desejar jogar contra ele por ser portador do HIV.
 
Muito pelo contrário, tomou aquelas declarações da época como uma oportunidade para ensinar aos dois a tolerância e a compaixão (além de educá-los sobre a doença, é claro).
 
Na verdade, ele não tocou no nome de seu amigo e quase irmão Isiah Thomas, grande rival das quadras, mas na época seu melhor amigo, que numa declaração totalmente infeliz, manifestou seu preconceito e ignorância sobre a doença.
 
Ao contrário da forma como tratou seus colegas de profissão, Johnson guardou uma grande mágoa do amigo, a quem prezava muito e isso é até certo ponto compreensível, pois o ser humano é assim mesmo.
 
As críticas e incompreensões de quem nos são importantes nos afetam muito mais do que se fossem feitas por quem nos são distantes.
 
Nesse aspecto, Magic Johnson é um ser humano como a gente.
 
Foto:nba