Varejinho de malas prontas para disputar o basquete universitário nos EUA
Pelo Flamengo, Fred Duarte foi eleito o melhor jogador da LDO em 2011
22/01/2012 10:29 - Atualizado em 22/01/2012 11:04
Por Thiago Mendes
RIO
Eleito o melhor jogador da Liga de Desenvolvimento Olímpico de 2011 (LDO), jogando pelo Flamengo, o ala-pivô Fred Duarte está de malas prontas. Sem oportunidades no Brasil, “Varejinho” está a poucos detalhes de realizar um de seus maiores desejos: tentar sorte no basquete universitário dos Estados Unidos.
Para Fred, atuar no basquete americano será um salto enorme em sua carreira. Poder disputar o Novo Basquete Brasil (NBB), no entanto, mexeria com os sentimentos do jovem jogador, de apenas 20 anos. Para ele, uma proposta de algum clube brasileiro seria avaliada com muito carinho.
- Com certeza eu teria pensado com muito carinho caso surgisse uma proposta para jogar no NBB. Mesmo meu foco agora sendo ir aos EUA, certamente eu analisaria bem caso surgisse uma oportunidade de ter uma visibilidade legal por aqui e ter uma estrutura boa.– disse ele, que se mostrou balançado entre dois desejos.
Com o prazo para as inscrições no NBB4 encerrado, então, o atleta achou melhor voltar suas atenções para os Estados Unidos. Com praticamente tudo acertado, dependendo apenas de resoluções burocráticas, Fred já vive a expectativa de embarcar rumo ao estado americano de Oklahoma.
- Não fui procurado por nenhum clube brasileiro para jogar o NBB. Como não houve nenhuma proposta, achei melhor focar na minha ida aos Estados Unidos agora. Já está tudo certo com uma universidade em Oklahoma. Estou dependendo apenas do visto americano. Essa semana eu vou ao consulado pra tentar acertar essa questão e poder concretizar esse plano que eu tinha. Assim que resolver isso, eu vou mesmo – revelou o ex-jogador do Flamengo.
Sem muito espaço no clube carioca, Fred acredita que o fim da LDO durante o NBB acabou dificultando sua permanência no Brasil.
- Com a qualidade do grupo do Flamengo, acabei ficando sem espaço. Eu acredito que a LDO acabou justamente em uma época em que os clubes já estavam com os grupos praticamente fechados, sem tanto espaço para novas contratações – completou.
Consequências da LDO
Com 15 partidas disputadas e incríveis médias de 21,1 pontos e 13,2 rebotes, o que significaria um duplo-duplo por jogo, Fred foi eleito o melhor jogador da LDO. As boas atuações renderam ao jogador um novo status, sendo, inclusive, parado nas ruas por fãs.
- Tive um retorno muito bacana. Família, amigos, todo mundo acompanhando. Passei a ser reconhecido por flamenguistas que eu nem conhecia. Era parado nas ruas, na praia, em shoppings, e o pessoal me parabenizando. Foi bem legal por isso – admitiu ele.
A competição, no entanto, não foi importante somente por isso. Para “Varejinho”, o torneio, organizado para atletas de até 21 anos, acabou se transformando em uma motivação extra em sua carreira, que estava sem muito estímulo, já que foi uma oportunidade para mostrar seu talento.
- Foi um ano muito difícil e a competição veio para dar uma animada na galera, já que estávamos tendo muito pouco espaço no profissional. Nos sentimos muito motivados a jogar e mostrar trabalho, para provar que estamos em um nível forte. Para mim, particularmente, a LDO serviu para isso, já que estava meio desestimulado – admitiu ele.
Fred confessou ainda que a LDO reacendeu sua vontade de entrar na quadra e fazer o que mais gosta: jogar basquete.
- Acho que depois do torneio eu renasci para o basquete, voltei a sentir essa vontade de estar em quadra de novo. Não que ela não existisse dentro de mim, mas ela estava um pouco apagada – revelou.
Apelido carinhoso
Engana-se, porém, quem acha que o apelido de “Varejinho” foi recebido por Fred durante sua participação na LDO. A comparação com Anderson Varejão, jogador da seleção brasileira e do Cleveland Cavalliers, time da NBA, começou desde que chegou ao Flamengo.
- Surgiu logo quando eu cheguei ao Flamengo, porque lá já tem um Fred, o armador. E sempre dava confusão, pois sempre que chamavam um, nós dois olhávamos. O supervisor disse que eu precisava de um apelido porque ninguém ia aguentar isso até o fim do ano, que estava só começando na época. Aí, pela semelhança com o Varejão, acabou pegando. E eu gosto muito do apelido, acho bem legal e carinhoso – contou ele.