Há muito tempo que eu não escrevia nada no blog. Pode parecer surpreendente, mas a minha principal função no Esporte Interativo é gerir tudo relacionado a futebol. E a minha falta de escrita reflete a falta que faz a NBA no cenário “basquetebolístico” mundial. Tivemos, recentemente, vários fatos relevantes, tais quais a classificação do Brasil pra olimpíada (masculino e feminino), finais da WNBA, Flamengo x Brasília, etc. E mesmo assim eu não me sentia obrigado a escrever, tampouco refletir sobre nada. Parece que meu mundo não está completo. E tudo isso porque sempre sabia a todo momento que a temporada da NBA não estava garantida. Agora é oficial: não teremos as duas primeiras semanas do Melhor Basquete do Mundo.
Aqui vão algumas considerações sobre o ocorrido, SEM NENHUMA INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA; são apenas pensamentos do que imagino que seja o cenário atual. Acho que um consenso no beisebol, hóquei e NBA é a quantidade exorbitante de partidas na temporada regular. Isto é, essas duas semanas, à princípio não atrapalham tanto. E por isso nenhuma das partes envolvidas quis ceder nesse primeiro momento. Por isso que as frases são sempre em tom pessimista, tentando mostrar força para o “outro lado da moeda” e tentando, portanto, induzir a outra parte a ceder antes. Seria uma estratégia inteligente se não fosse a mesma utilizada por todos os lados. É como uma mesa de poker em que todos blefam ou que todos passam. O jogo, digo, as negociações não fluem. Aproveitando a metáfora, me parece um jogo em que todos estão com cartas péssimas, mas decidem colocar “all in” e deixam a sorte, e não a razão, controlar o destino.
Em algum momento alguém nessa discussão vai perceber que está perdendo muito sem jogar. Entendo que um jogador da NBA tem mercado ao redor do mundo e que muitos deles, principalmente as estrelas são mal pagas. Mas por tudo que jogar no Melhor Basquete do Mundo significa, para alguns atletas simplesmente não serve ser astro na Europa, China ou Brasil. Eles têm que brilhar no mesmo lugar que Michael Jordan, Magic e Charmberlain. Ou fui só eu que achei estranho o Kobe ter “fechado” com um time chinês e com um italiano? Não parece uma tática para pressionar um acordo rápido?
Olhando para a perspectiva dos times. Se eles têm tanto prejuízo com as equipes jogando 82 jogos, imagina sem jogar. Se está difícil manter, traga inovações de marketing, invista no esporte local, venda camisas ao redor do mundo, enfim, se vire e não coloque apenas no sistema a culpa. Sim, Los Angeles, Nova Iorque, Chicago, Boston e outros grandes mercados têm grande vantagem, mas isso vai acontecer sempre. É assim. A vida é sofrida. Se jogar em cidade grande garantisse título o Knicks teria mais títulos que o Spurs. Tem é que colocar a cara e vender “season tickets” como faz o Warriors ou conseguir vencer pouco, mas de maneira histórica, como o Portland Trail Blazers ou o Milwaukee Bucks.
Acredito que de uma maneira geral, a NBA está sendo vítima do seu próprio sucesso. Acredito também que dessa vez, seja o que for decidido, vai ter uma consistência mais duradoura. A greve de 98 tinha a aposentadoria do Jordan e uma decadência clara do produto NBA como principal motivo; eram tempos de uma “bolha estourada”. Essa greve vem numa ascensão clara desse mesmo produto, por isso a associação de jogadores, que reergueram a NBA, tem tanto poder. O Derek Fisher e o Mo Evans têm que ligar todo dia para o Kobe, LeBron, Wade e companhia para agradecer, pois o poder de barganha deles é graças a esses caras e o que eles apresentaram em quadra nas últimas temporadas.
Sabe uma coisa que me intriga? A postura de alguns jogadores “internacionais” (leia-se não americanos). Eles não dão muitas declarações a não ser fechar com um time ou outro durante o lockout, provavelmente de seu país local, mas parecem que eles não se metem. Pode acontecer de num futuro próximo haver uma associação dos jogadores “estrangeiros”. A participação deles, não só em quadra, mas também abrindo grandes mercados (haja vista Yao Ming, Nowitzki, Gasol, Varejão e cia) é fundamental para a quantia de dinheiro que a NBA ganha hoje em direitos televisivos altíssimos para lugares sem tanta tradição no basquete, além de material esportivo licenciado. Parece que a “revolta” e insurreição é só de americanos. Pelo menos é essa a minha percepção. Talvez porque todos saibam, no fundo, que não ganhariam o que ganham nos seus países.
Como o apaixonado pelo esporte que sou fico triste. Me coloco no lugar de um Lebron James da vida, que tenta seu primeiro título e pode ter uma temporada a menos no auge da forma. No lugar do Rick Rubio, que não consegue estrear na NBA. No lugar do Kobe, que fica tentando chegar perto das conquistas do Jordan, mas só fica velho a cada dia e não tem jogo pra jogar. Acho que pouca gente tem empatia com o David Stern, uma espécie de “ditador” da NBA, mas que, diga-se de passagem, é o principal responsável pela ex-liga de drogados se tornar o Melhor Basquete do Mundo; por uma marca americana se tornar a maior marca esportiva do mundo; e mesmo assim, quando ele se aposentar e deixar um “oceano azul” para os fãs do esporte, ainda vamos dedicar muitas linhas falando das greves e da sua falta de sensibilidade em certos termos. Eu posso ficar achando exemplos a vida toda. Acho que o ponto foi feito. Esses caras precisam achar a melhor maneira de dividir o bolo agora e com a perspectiva de crescimento no futuro. E nós. Bom, a nós cabe vibrar, torcer, admirar a NBA, assim que ela acontecer.