segunda-feira, 8 de agosto de 2011


SOBRE HUERTAS, SEGUROS DE JOGADORES E RECUSAS
08/08/2011 14:47 h

São problemas semelhantes, que sempre afetaram os jogadores brasileiros (em todos os tempos, por sinal).
 
O atleta em geral, vê primeiro seus interesses pessoais (e não poderia ser diferente) e se no passado o interesse maior era participar da seleção brasileira (visibilidade, contratos, jogar no exterior, etc.), hoje o interesse mudou muito e os nossos atletas reagem a isso como sempre reagimos.
 
 
A diferença é que a aposta hoje é mais alta e uma lesão ou um contrato com o Barcelona têm muito mais peso (e temos que aceitar que seja assim) que um torneio Super 4.
 
O que, entretanto, deve ser mudado é esse "joguinho de esconde-esconde", do "vou-contar-prá-vc-mas-não-publica", que vivenciamos hoje.
 
No caso do seguro, ele é muito caro (eu sei, todo mundo sabe), mas precisa senão acontece o que já aconteceu com a Sobral e com a Alessandra no passado.
 
Nos tempos de antanho era muito fácil dar assistência aos jogadores (amadores, com trabalho fora do basquete, estudados) do que é hoje, onde os atletas são máquinas esportivas de última geração, especializados em render sempre o máximo e geram (não acho errado também) lucros não só a eles próprios como aos seus produtores (clubes, agentes, parentes, assessores vários).
 
Uma lesão esportiva na minha época dificilmente encerrava a carreira do atleta (que tinha outros meios de vida) como encerra hoje.
 
Exagerando um pouquinho, hoje se morre de esporte, que já foi considerado uma forma de manter a saúde.
 
Os defensores das tradições póstumas sempre berraram que "Fulano da NBA pagou o seguro e jogou", "Beltrano nem férias tirou para defender seu país", ou ainda "Cicrano faz questão de defender seu país nas Olimpíadas".
 
Eis a chave da questão: Fora da NBA, o grande objetivo de todo jogador que dela participa é o de defender seu país nas Olimpíadas. Para isso, eles fazem qualquer coisa (pagam o seguro, perdem férias, até se dedicam).
 
Mas, já vimos os mesmos atletas se negarem a ir a uma competição de menor importância porque não têm seguro, estão de férias e estão centrados apenas no seu ganha-pão (a NBA).
 
Essa nova ordem vale também para o caso Huertas, onde primeiro se poupa o jogador, depois ele não joga por problemas particulares até alguém (muito competente) descobrir naquelas de "contei só prá você" que ele tem o contrato da sua vida para ser assinado em Barcelona.
 
Ora, não era melhor ter sido claro e não dizer meias-verdades (que pode ser tudo, menos a verdade)?
 
Qual é o problema no basquete de hoje, com os meios de comunicação e de transporte que temos, um atleta do calibre de Huertas atravessar o Atlântico, assinar um contratão e voltar dias depois para treinar?
Não é bom isso? Não valoriza o jogador e seu ambiente?
 
Ou será melhor noticiar que Huertas foi poupado do jogo contra o Panamá e teve problemas particulares para o jogo contra Cuba?
 
Por quê passar para todos uma situação de coisa escondida e proibida?
 
Quanto à recusa em defender a nossa seleção por vários de nossos grandes atletas, eu tenho certeza de que todos os problemas, todas as lesões, todos os desencontros cessarão com a desejada classificação do Brasil para Londres 2012.
 
Quando tivermos nosso lugar garantido todos voltarão pela simples razão que disputar as Olimpíadas será muito interessante para eles (visibilidade,contratos, jogar no exterior, etc).
 
Alguém duvida?
 
Marcel de Souza
marcel@databasket.com
Administração