terça-feira, 23 de agosto de 2011


23/08/2011

Mais um verão dos sonhos da Espanha

A Espanha disputou sete torneios de base no verão europeu. Se conseguisse três medalhas já poderíamos dizer que era fantástico, certo? Mas os ibéricos ousaram. Conquistaram sete (100%, isso mesmo!) naquele que é considerado o segundo maior verão da história do basquete local em todos os tempos (só fica atrás do de 2009, quando foram obtidas oito medalhas). Foram quatro ouros (Europeus Sub-20 masculino e feminino, Europeu Sub-18 masculino e Europeu Sub-16 feminino), uma prata (no Mundial Sub-19 do Chile) e dois bronzes (Europeu Sub-18 feminino e Europeu Sub-16 masculino).
Se isso não fosse o suficiente, a Espanha é a líder em medalhas no continente nos últimos oito anos. Foram 33 entre 2004 e 2010 (20 no feminino – liderança absoluta – e 13 no masculino – mesmo número da Sérvia). Pode parecer clichê, mas faz muito sentido o que diz e repete José Luis Sáez (foto), presidente da Federação Espanhola de Basquete (ele será entrevistado aqui em breve): “Aqui conjugamos as palavras trabalho e sucesso juntas. Primeiro queremos que nossos jogadores sintam prazer e fiquem à vontade na seleção desde as categorias menores. Assim conseguimos passar os valores e o que pretendemos ao longo dos anos. Acho que o resultado de 2011 é reflexo de um trabalho que começou lá atrás, bem lá atrás”, disse ele ao site da FEB.
Em uma de suas tiradas geniais, Muricy Ramalho disse que “isso aqui é trabalho”, demonstrando seriedade naquilo que faz. Na Espanha, cuja única atitude que eu contesto é a naturalização constante de atletas (vide o exemplo de Serge Ibaka, de Sancho Lyttle e recentemente de Mirotic e de Astou Barro nas divisões de base), não é só isso: é trabalho, é gestão e é planejamento ao mesmo. Dá resultado, pode acreditar. E deveria servir de exemplo para o Brasil não só no basquete, mas no esporte de um modo mais amplo.
por Fábio Balassiano às 11:10