Em clínica, Larry Brown fala sobre formação de jogadores
Disse Larry Brown: “Não adianta a gente preparar o jogador das categorias de base para ele (o jogador) com uma série interminável de jogadas. Temos que prepará-los para jogar, para entender o jogo, para ler e saber o que fazer em determinadas funções e situações. Jogadas sem fim acabam por limitar o atleta”. Acho que não precisa falar muito mais, certo?
Brown não conhece muito bem a realidade brasileira, mas ele sabe muito sobre basquete e acabou por tocar em um problema sério do basquete daqui. Temos uma infinidade de atletas talentosos (habilidade), mas pouquíssimos com leitura de jogo e noção de como fazer as coisas sem ser de maneira mecânica (técnica). Não é que um time não deva ter jogadas (os de Larry Brown tinham um punhado – e quase todos começavam com uma troca incessante de passes e usavam o pick-n’-roll, tão conhecido por aqui, no final – e não no começo), um sistema, uma filosofia, mas acho que a questão é como fazer com que o atleta entenda o que está fazendo – e não apenas execute o que os técnicos mandam.
Essa, sinceramente, é uma discussão que acho que deve ser mais explorada no basquete brasileiro. Como sempre digo, material humano para se trabalhar há aos montes por aqui, mas é preciso fazer com que os atletas sejam ensinados sobre o que deve ser feito (hoje em dia é muito mais “imposição” e “mecânico” do que qualquer outra coisa). E eles só terão estes recursos com professores (técnicos) de alto nível.
por Fábio Balassiano às 11:40