segunda-feira, 8 de agosto de 2011


Em clínica, Larry Brown fala sobre formação de jogadores


Não conseguir ir ao evento em que Larry Brown ministrou clínica em São Paulo para mais de 200 técnicos, mas pelo que conversei, o norte-americano estava inspirado. Foi simpático (na NBA a fama é oposta), não se negou a falar sobre nenhum assunto (leia um pouco aqui) e também abordou um tema bastante importante, o da formação de jogadores.
Disse Larry Brown: “Não adianta a gente preparar o jogador das categorias de base para ele (o jogador) com uma série interminável de jogadas. Temos que prepará-los para jogar, para entender o jogo, para ler e saber o que fazer em determinadas funções e situações. Jogadas sem fim acabam por limitar o atleta”. Acho que não precisa falar muito mais, certo?
Brown não conhece muito bem a realidade brasileira, mas ele sabe muito sobre basquete e acabou por tocar em um problema sério do basquete daqui. Temos uma infinidade de atletas talentosos (habilidade), mas pouquíssimos com leitura de jogo e noção de como fazer as coisas sem ser de maneira mecânica (técnica). Não é que um time não deva ter jogadas (os de Larry Brown tinham um punhado – e quase todos começavam com uma troca incessante de passes e usavam o pick-n’-roll, tão conhecido por aqui, no final – e não no começo), um sistema, uma filosofia, mas acho que a questão é como fazer com que o atleta entenda o que está fazendo – e não apenas execute o que os técnicos mandam.
Essa, sinceramente, é uma discussão que acho que deve ser mais explorada no basquete brasileiro. Como sempre digo, material humano para se trabalhar há aos montes por aqui, mas é preciso fazer com que os atletas sejam ensinados sobre o que deve ser feito (hoje em dia é muito mais “imposição” e “mecânico” do que qualquer outra coisa). E eles só terão estes recursos com professores (técnicos) de alto nível.
por Fábio Balassiano às 11:40