segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Acredite se quiser: Toni Chakmati será reeleito por aclamação na Federação Paulista hoje 


Não sei se preciso falar aqui do respeito que tenho pelo basquete de São Paulo, preciso? Acho que não. Mas me espanta absurdamente saber que hoje, 24 de janeiro de 2012, o presidente Toni Chakmati será reeleito por aclamação (hein?) para mais um mandato na Federação. E o cara está lá há tanto tempo que eu de verdade não sei nem precisar quanto (12, 16 anos?).
Espanta-me o continuísmo que continuará imperando em São Paulo com uma gestão ruim (repara só, clicando aqui, no expediente da Federação e veja que ela só funciona a partir das 14h – em que mundo essa gente vive?), atrasada (sem querer ser chato, mas Toni aparece na foto que ilustra este post com uma calculadora daquelas beeeeeeem antigas), pobre de ideias e com pessoas, ao menos até então, tão retrógradas quanto o mandatário maior da entidade.
Mas isso não é tudo, obviamente. Fico abismado, absolutamente abismado, com a subserviência de clubes e Ligas (lá, para ser candidato da oposição, é preciso do apoio de quatro agremiações e uma das cinco ligas existentes no Estado) no processo eleitoral que culminará com a reeleição de Toni nesta terça-feira por aclamação (hein?). Não há um candidato sequer da oposição a uma Federação que parou no tempo no mínimo há dez anos. Não há ninguém que lutará contra Chakmati e o atraso da FPB neste dia (para ser justo, houve, sim, um nobre dirigente que tentou se candidatar, mas desistiu quando viu que não seria apoiado).
São Paulo é o estado mais rico do Brasil e sem sobra de dúvida o único que ainda tenta fazer um basquete razoável no país. Isso, claro, precisa ser louvado e dito, mas não pode cegar as pessoas. A gestão centralizadora de Toni Chakmati é muito, muito ruim, o principal produto (Paulista Masculino Adulto) é tratado com uma passividade absurda, as categorias de base estão absolutamente largadas e os clubes encontram-se totalmente anestesiados e asfixiados em dívidas (lembra, em um cenário menor, o que se passa na Confederação, não?).
Com todo o respeito, mas sem perder o espírito esportivo, termino com um trocadilho: se não houver mudança absolutamente radical neste seu novo mandato que se inicia, Toni conseguirá, enfim, dar um xeque-mate no basquete paulista já, já. É triste, bem triste.

Catanduva e Americana, bom confronto de líderes na LBF 

Jogo interessante este de hoje à noite entre Catanduva e Americana pela Liga de Basquete Feminino. A peleja acontece às 20h em Catanduva, e vale a liderança do campeonato. As visitantes, até então invictas após sete partidas, estão apenas um ponto à frente das donas da casa (6-1), e muita coisa estará em jogo além da vitória.
Americana, que tem o melhor ataque da LBF com 81 pontos de média e a menor média de erros (15,6), jogará pela primeira vez um grande jogo após a notícia que a prefeitura local anunciou a retirada do apoio financeiro ao projeto de basquete no sábado (leia aqui), e será interessante ver se a cabeça das meninas do técnico Zanon será afetada. Vale a pena ficar de olho, também, na dupla de garrafão formada por Sandora Irvin e Clarissa, que, somadas, têm as médias de 28,9 pontos e 19,9 rebotes.
Do outro lado estará Catanduva, que no sábado venceu São José por 66-62 e é, seguindo o estilo de Edson Ferreto (foto), o time que mais bolas de três arremessa por partida na LBF (18,9 por noite, mais de um terço dos chutes totais da equipe). Para conter a força do garrafão adversário, Ferreto conta com a ótima fase de Gilmara (17,4 pontos, 5,6 rebotes e 56,5% de aproveitamento nos arremessos) e com a tentativa de recuperação de Karina Jacob (ela, que surgiu muito bem há quatro, cinco anos, busca voltar à boa fase justamente onde despontou para o cenário nacional).
Será, sem dúvida, um jogaço na noite desta segunda-feira, e é uma pena que não haverá exibição de televisão. Quem será que vence?

Com estreia, classificação inédita e retornos, brasileiros têm ótima rodada na Espanha 

Que rodada a deste fim de semana para os brasileiros na Espanha, hein. Como você leu por aqui ontem, Marcelinho Huertas completou 250 jogos na Liga ACB jogando pelo seu Barcelona contra o Zaragoza, de Rafael Hettsheimeir. O armador foi tímido com dois pontos e assistências em 20 minutos, mas viu seu time bater os rivais por 71-68 (Rafael teve oito pontos e três rebotes).
Na capital espanhola, uma estreia e um retorno. O pivô Lucas Bebê (na foto) debutou, enfim, na Liga Espanhola. Jogando pelo Estudiantes, ele jogou por 11 minutos e apanhou cinco rebotes (errou seus dois arremessos e desperdiçou duas bolas). No fim, através de sua conta no Twitter, mostrou-se feliz, emocionado e agradecido ao técnico Pepu Hernandéz, que o lançou).
Do outro lado, porém, estava a sensação da temporada, o Alicante, que fez 76-68, venceu a sua décima-segunda partida em 17 rodadas e fechou o turno na quinta colocação (que agradável surpresa, gente!). E quem joga por lá é Rafael Luz, que após quase um mês lesionado voltou a atuar. E voltou muitíssimo bem com oito pontos, cinco rebotes, duas assistências e 11 de eficiência em 15 minutos. Além dele, o ótimo Augusto Lima, do Unicaja, também recuperado de hérnia de disco, teve dez pontos e nove rebotes na derrota de seu time para o Manresa por 86-68.
Agora, a melhor notícia, melhor mesmo, veio de Murcia. Perdendo por 15 pontos a nove minutos do fim (57-72), o Lagun Aro precisava virar a partida contra os donos da casa para conseguir a inédita classificação para a Copa do Rei (àquela altura, o Barcelona já vencia o Zaragoza e o Bilbao e o Valencia já haviam perdido). E conseguiu. Com a incrível sequência de 32-13, virou a partida, fez 89-85 e alcançou o feito. Raulzinho, do Lagun, teve quatro pontos e dois rebotes em 11 minutos.
A Copa do Rei acontece entre os dias 16 e 19 de fevereiro (carnaval aqui no Brasil portanto) em Barcelona (no Palau Saint Jordi), e será bem legal vermos três dos principais armadores do país (é bem provável até que Luz, Huertas e Raulzinho estejam em Londres, nas Olimpíadas), além de Augusto Lima, na competição. Foi um fim de semana pra lá de positivo.