segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sem consistência defensiva, Gonzalo García ainda não diz a que veio no Flamengo

Na semana passada recebi uma ligação devido ao post que fiz sobre Paulo Chupeta. A pessoa, que prezo bastante, disse-me o seguinte: “Bala, falar que o Chupeta poderia ser técnico do Flamengo atualmente é brincadeira. Ele não tem condição”. Ouvi, respeitei os argumentos, mas no final eu falei: “Olha, até entendo o que você diz, mas o problema é que ele foi sacado e o que veio não acrescenta em muita coisa, não”. Falávamos, claro, de Gonzalo García (foto), técnico argentino que está no Flamengo há quase um ano exatamente (foi anunciado em 4/1/2011).
Não tenho nada contra Gonzalo, com quem mantenho relação educadíssima e respeitosa (quase sempre nos encontramos no Leblon), mas seu trabalho no rubro-negro é fraco, bem fraco. A comparação com o antigo dono do cargo é inevitável, mas não sei se válida. Chupeta tinha um elenco bem diferente do que o argentino comanda – e o mais grave: o atual grupo do Flamengo é muitíssimo mais forte que o de alguns anos atrás. Com uma baita estrela para o nível do basquete brasileiro (Marcelinho) e dois excelentes coadjuvantes (Kammerichs e David Jackson), além dos bons Caio Torres, Hélio e Átila, o hermano tenta, mas ainda não conseguiu dar uma cara de time ao Fla.
E isso ficou muito claro na derrota para o Uberlândia no sábado por 89-81 (a segunda no NBB, e a segunda em casa – a outra foi contra o Pinheiros, na primeira rodada do campeonato). O time de Gonzalo segue abusando dos tiros de três pontos (foram 25, para apenas sete conversões, contra 40 de dois pontos), Marcelinho continua jogando o basquete que bem entende (3/11 nos chutes de longe) e a bola roda muito pouco no ataque.
Mas é na defesa que está o maior problema. Mesmo com dois baita jogadores na marcação (Kammerichs e Átila, que, inexplicavelmente, foi sacado no fim do jogo de sábado quando era a melhor peça da retaguarda rubro-negra), os adversários encontram absurda facilidade para infiltrações e tiros longos (Day e Collum mataram sete de três pontos), muito em razão da péssima transição ataque-defesa da agremiação carioca. E a defesa, é bom lembrar, foi o principal motivo para o Flamengo trazer Gonzalo García, não? Sendo bem claro: não acho o nível dos técnicos brasileiros nem perto de ser bom (acho que vocês já viram isso pelos posts deste blogueiro), mas não é qualquer argentino que é Rubén Magnano, né.
Sabem o que é mais “hilariante” nisso tudo? É que o time do Flamengo é tão bom, mas tão bom, que é capaz de ganhar o campeonato apesar de Gonzalo Garcia (e não por causa de Gonzalo García, como seria num mundo ideal). Com um elenco de primeiríssima qualidade, o rubro-negro pode, sim, chegar ao título do NBB4, mas acho que não é demais lembrar que o basquete que se joga atualmente é idêntico, ou pior, que o de dois ou três anos atrás.