Interessante inversão de prioridades: investindo na garotada
Por: Colin Foster
Publicado em 13/9/2011, 10:07 am
Flávio Davis é um treinador gabaritado, competente, com vaga em muitos times do alto escalão do NBB. Mas trabalhando nas divisões de base mostra uma filosofia muito interessante do Minas Tênis Clube, que ele mesmo ressaltou no fim do programa: investir em profissionais experientes para trabalhar com a garotada, para trabalhar o futuro do esporte.
É lá em baixo, aos 10, 11 anos, que está o momento crucial da criação dos novos valores. E é preciso ali, mais do que em qualquer idade, fazer um trabalho de fundamentos, de coordenação motora, de filosofia do esporte. Um trabalho para que os próximos Rafael Luz e Augusto Lima que surgirem não tenham que sair do Brasil para se desenvolverem.
Os técnicos mais gabaritados e respeitados dos Estados Unidos estão nas escolas de ensino médio e na NCAA, não na NBA. Não é à toa que o escolhido para trabalhar a reformulação da seleção americana é Mike Kryzewski, treinador da Universidade de Duke.
Mas no Brasil isso praticamente não é feito. Não raro, ex-jogadores de divisão de base com 20 e poucos anos são alçados a treinadores do mirim, do infantil, sem terem um estágio de aprendizado. No time profissional, a medida para corrigir uma aposta, como foi de Uberlândia com Ratto ano passado, é simples: demissão. E na base? Anos podem ser jogados fora, como foram jogados na década negra que o basquete viveu entre 2000 e 2009.
Um dos principais legados da vaga olímpica conquistada no sábado é o interesse das crianças em praticar basquete, e o interesse dos pais em colocá-las para arremessar a bola laranja. Com profissionais gabaritados trabalhando a molecada, temos tudo para criar e manter uma nova geração de talentos que nos darão bons frutos por muitos anos.