terça-feira, 20 de setembro de 2011

“Tendência é que migração para a Europa acabe”, diz Domenici



Por: Colin Foster
Publicado em 19/9/2011, 2:25 pm
Na segunda parte da entrevista com o gerente executivo da LNB, Sérgio Domenici, mais informações bem interessantes. O NBB, segundo Domenici, faturou 80% mais na terceira temporada do que na segunda, e as expectativas para 2011/2012 são de triplicar estas receitas. Além disso, o NBB Sub-21 passará a se chamar Liga de Desenvolvimento Olímpico, como já foi noticiado aqui no Sexto Homem no domingo, e a expectativa é de que esse seja um ano marcante no que diz respeito ao êxodo de jogadores.
Sérgio Domenici acredita que, com a  criação da Liga Sub-21 e do desenvolvimento do NBB, é pouco provável que os jogadores continuem saindo às pencas para o exterior. “Não acredito que um dia tenhamos como competir com a NBA, claro que não. Mas essa migração para a Europa tende a acabar caso a economia mundial continue nesta curva e o NBB a se desenvolver. Benite não foi para fora, os jogadores que foram ao Sub 19 estão em grande parte ainda no Brasil, coisas impensáveis há três anos”, afirmou.
Veja abaixo a segunda parte da entrevista. Perdeu a primeira? Clique aqui e relembre as expectativas de Domenici para o NBB 4.
Sexto Homem: Flamengo e Brasília despontam novamente como favoritos ao título e têm investimentos muito maiores até mesmo que times de playoffs, como Bauru, só para citar um exemplo. Como diminuir essa discrepância técnica e financeira entre as equipes?
Sérgio Domenici: Tornando o produto basquete cada vez mais interessante para que todas as equipes consigam conquistar patrocinadores, e suprindo-as de informações que auxiliem neste trabalho; fazendo com que o departamento técnico enriqueça as comissões técnicas com subsídios para obter cada vez mais de seus times; manter a política de contratações de até três estrangeiros até que tenhamos recursos humanos para não concentrarmos os melhores em poucas equipes; consolidando o Sub-21, que agora passa a se chamar Liga de Desenvolvimento Olímpico, de forma a abastecer os times com um número maior de atletas.
É importante frisar que hoje temos pelo menos nove equipes que podem estar entre os quatro finalistas do NBB-4 e pelo menos cinco que brigarão pelo título. Quantos campeonatos no mundo têm tamanha competitividade? Você deve se lembrar que na fase de classificação da temporada passada, seis equipes chegaram à última rodada com chances de serem primeiras colocadas.
O basquete brasileiro segue centralizado em SP, RJ (Flamengo), e Brasília como o intruso de sempre pelo título. Qual sua opinião sobre isso? E quanto ao norte e nordeste? Já se vão três anos de NBB sem times das regiões. Caso um único time do Norte ou Nordeste ganhe a próxima Copa Brasil e preencha os requisitos, entrará no NBB-5 sem problemas?
Você se esqueceu de Minas Gerais, com duas fortes equipes (nota da redação: aprecio e admiro, mas não vejo Minas TC nem Uberlândia com chances mínimas de título essa temporada). Não sei fazer um diagnóstico preciso sobre o Norte/Nordeste, mas acredito que haja potencial para, pelo menos, duas ou três equipes de lá no NBB. Se um time [dessas regiões] se classificar na Copa Brasil e atender aos requisitos será muito bem vindo ao NBB.
Como foi o retorno financeiro de marketing e mídia da Liga em 2010/2011 e quais as previsões para 2011/2012?
Em 2010/2011 tivemos um faturamento 80% maior que na temporada anterior, nesta temporada esperamos triplicar nossas receitas.
Qual sua opinião sobre o NBB Sub-21 e o formato de disputa? Um campeonato de tiro curto (cerca de 10 dias) não limita um pouco a rodagem e o ritmo que tanto se quer dar para os jovens atletas?
A Liga de Desenvolvimento Olímpico (o Sub 21) é uma oportunidade excepcional para o basquete brasileiro, uma ação sem precedentes, que contribuirá de forma significativa para o desenvolvimento e futuro da modalidade. O formato de disputa está bem longe do ideal. Um jovem nesta idade deve fazer pelo menos 40 jogos de grande qualidade por ano para que consiga se desenvolver com grande capacidade técnica. Tínhamos um recurso limitado, então achamos por bem fazer e tentar evoluir do que esperar a melhor situação. Há um novo produto na rua, resta trabalhar para melhorá-lo a cada dia e este é um esforço que deveria ser abraçado por toda a comunidade do basquete.
Apesar de atrairmos jogadores rodados, ainda perdemos jovens jogadores. Raulzinho foi o último. Como a LNB está trabalhando neste sentido, para segurar nossas promessas?
Não acredito que um dia tenhamos como competir com a NBA, claro que não. Mas essa migração para a Europa tende a acabar caso a economia mundial continue nesta curva e o NBB a se desenvolver. Benite não foi para fora, os jogadores que foram ao Sub 19 estão em grande parte ainda no Brasil, coisas impensáveis há três anos.
Sexto Homem: Em resumo, o que podemos esperar do NBB 4, que erros cometidos a LNB focou em consertar e quais as novidades que poderemos ver?
Sérgio Domenici: Emoção, muita emoção. Esperamos trabalhar melhor a promoção nos ginásios, criar novos atributos para o torcedor ir às praças de esporte, como entretenimento com conforto e segurança. Precisamos dar mais alma ao espetáculo, passando desde a decoração do lugar até a qualidade do alimento que será oferecido. Claro que tudo isso não será finalizado no NBB4, mas temos que consolidar esta cultura. O NBB tem que ser, cada vez mais, um show.