domingo, 12 de fevereiro de 2012

O que de fato representa a contusão do brasileiro Anderson Varejão 

Ontem realmente foi um dia triste para quem acompanha Anderson Varejão. O pivô do Cleveland Cavs vinha fazendo a sua melhor temporada na NBA e recebia elogios de todos quando na sexta-feira, em um lance bobo na partida de sexta-feira acabou de machucando.
O resultado dos exames apontou que houvemicrofratura na mão direita, e não foi estabelecido tempo algum para o seu retorno às quadras. E o que isso quer dizer? Vamos lá:
1) A princípio, pelo que conversei com um amigo médico, não é problema algum para a seleção brasileira nas Olimpíadas. Se fosse uma fratura, preocuparia mais. Como foi uma microfratura, a tendência é que em um mês tudo esteja bem com o brasileiro. Para os Jogos de Londres, portanto, presença garantida.
2) Imagino como está a cabeça de Anderson neste momento. Depois da grave lesão da temporada passada, ele viveu em uma semana a expectativa de ser um All-Star (não foi, infelizmente) e agora se machuca. Faz parte do esporte, obviamente, e Varejão não deve perder muito tempo pensando nisso. Seus números subiram, seu reconhecimento na NBA é incontestável e seu time sentirá a sua falta. Apenas para registro: em seus oito anos de NBA, em apenas três temporadas o pivô conseguiu atuar em 55 ou mais partidas.
3) Por incrível que pareça, para o Cleveland a contusão de Anderson Varejão não foi ruim. Como é um time que está sendo montado para o futuro, quanto pior os Cavs forem para esta temporada, melhor. Além de Varejão, Kyrie Irving (na foto ao lado do brasileiro) também está machucado – e será muito difícil que a franquia de Ohio vença muitos jogos sem a dupla. Só lembrando: posição ruim na tabela pode significar um pick lá em cima no próximo Draft. A chance de capturar um Anthony Davis, Harrison Barnes ou Jeremy Lamb animam muito mais do que a possibilidade de chegar aos playoffs agora, na boa.
Então, amigos, é de preocupar que mais uma lesão ocorra com um jogador tão bom como Anderson Varejão é. Mas em relação às Olimpíadas, ao seu futuro na NBA e até mesmo para a temporada da franquia não é nada de desanimador. Portanto, bola pra frente e ótima recuperação a Varejão.

Conheça a história de Jeremy Lin, o ‘nerd’ que se tornou a maior febre da NBA no momento 

O nome dele é Jeremy Shu-How Lin. Tem 23 anos, nasceu em Palo Alto, Califórnia, e tinha tudo para ser só mais um nerd descendente de asiáticos (seus pais são de Taiwan) que quis jogar basquete com algum sucesso. Foi muito bem na escola de segundo grau em Palo Alto (15,1 pontos, 7,1 assistências e 6,2 rebotes no último ano), mas mesmo assim não conseguiu bolsa de estudos nas principais faculdades (enviou DVD e tudo).
Acabou, sem bolsa mesmo, em Harvard, uma das faculdades mais conceituadas no mundo acadêmico, onde se formou em economia (teve a ótima média de 3,1) e conseguiu jogar muita bola em uma conferência, a Ivy League, formada, basicamente, por todos os nerds dos Estados Unidos (são oito faculdades: Brown, Columbia, Dartmouth, Cornell, Yale, Harvard, Princeton e Pennsylvania). Obteve as médias de 16,4 pontos, 4,5 passes e 4,4 rebotes em seu último ano, mas era olhado com desconfiança por quase todo mundo (para ser justo, Jim Calhoun, de Connecticut, elogiou pacas o armador).
Mesmo assim ele tinha uma missão: ser o primeiro jogador de Harvard a jogar na NBA desde 1953-1954 (a faculdade só produziu três atletas para a liga: Saul Mariaschin, que jogou no Boston Celtics em 1947-48, Edward Smith, que atuou por 11 jogos pelos Knicks em 1953-54, e Wyndol Gray, All-American de 1945-46 que jogou pelos Celtics) e o primeiro da Ivy League a ser escolhido no Draft desde Jerome Allen (Pennsylvania, 1995). Para ser mais exato, Chris Dudley, de Yale, foi o último da Ivy a jogar na NBA, em 2003. A segunda parte ele não conseguiu, já que em nenhuma das duas rodadas da seleção universitária de 2010 ele foi draftado. Mas na primeira ele chegou lá.
Assinou um contrato de dois anos com o Golden State Warriors em 21 de julho de 2010, mas foi pouco utilizado. Anotou sua primeira cesta na NBA contra os Lakers, mas não fez muito mais do que isso. Foi dispensado no final do primeiro ano, cogitou jogar na Europa durante o locaute, mas preferiu esperar uma nova oportunidade. Ela veio em 27 de dezembro, quando o New York Knicks, um tanto quanto desesperado após perder o seu calouro Iman Shumpert para uma lesão, assinou com Lin.
O começo, óbvio, não foi fácil, e o banco de reservas era o porto-seguro de Lin, cujo salário anual é de US$ 762 mil. Escondido entre Bill Walker, Jared Jeffries e Jerome Jordan, ouviu um “entra” de Mike D’Antoni no sábado passado (2 de fevereiro) contra o New Jersey Nets quase como um “me salva, cara” de um técnico que estava cada vez mais ameaçado e de um time cada vez mais à deriva (os Knicks perderam 11 das últimas 13 e não se encontravam com a armação tenebrosa de Toney Douglas). Foi lá, e como quem não tinha o que perder despejou 25 pontos e sete assistências para não mais parar de mostrar talento, velocidade e inteligência em quadra.
No jogo seguinte, 28+8 contra o Utah, depois 23+10 contra os Wizards e ontem 38+7 contra os Lakers (foi apaludido por Woody Allen, Ben Stiller e, claro, Spike Lee). Pronto. Quatro jogos e quatro vitórias depois Lin virou febre em uma liga que busca um novo olho puxado para vender na Ásia pós-aposentadoria de Yao Ming, ganhou bilhões de apelidos (gosto muito do Yellow-Mamba, numa alusão ao Black-Mamba de Kobe Bryant), tornou-se exceção em uma liga que tem 80,2% da mão de obra formada por negros e ajudou a reerguer um time que precisava de salvação sem suas duas principais estrelas (Carmelo Anthony e Amare Stoudemire, é bom lembrar, estão fora).
Na quinta-feira, antes do jogo contra os Knicks, Kobe Bryant disse que não conhecia Jeremy Lin. Não foi desprezo, foi pura falta de conhecimento com alguém que uma semana atrás só esquentava o banco de uma das franquias com a maior crise de identidade da NBA (antes, apenas 53 minutos somados). Com humildade, Kobe disse, após ver o nerd de olho puxado fazer 38 pontos e sete assistências para estraçalhar os Lakers, que esta é uma das mais belas histórias de perseverança que ele já conheceu.
É por aí mesmo. Não dá, ainda, para saber como será o futuro de Jeremy Lin na NBA. Muito provavelmente seus números cairão quando Carmelo Anthony, Amare Stoudemire e Baron Davis voltarem (este último, na verdade, estrear com a camisa dos Knicks justamente na posição de Lin). Aconteça o que acontecer, porém, já terá sido uma baita história de alguém que jamais desistiu e de alguém que, com inteligência, colocou o estudo sempre em primeiro lugar.
Abaixo alguns vídeos de e sobre Jeremy Lin, a sensação da temporada 2011-2012 da NBA.
AQUI OS 38 PONTOS DE LIN ONTEM CONTRA OS LAKERS
LIN MOSTRA COMO JOGAR BASQUETE EM HARVARD (BEM DIVERTIDO)
MELHORES MOMENTOS EM HARVARD
ENTREVISTA COM O TÉCNICO DE LIN NA HIGH-SCHOOL EM PALO ALTO

Vale a pena conferir: LNB lança novo – e ótimo – site 


A turma reclamou, com razão, que quase não tenho falado sobre o NBB4 aqui (embora um dos últimos posts tenha sido sobre São José). Por isso vale a pena, nesta retomada do blog com assuntos do basquete nacional, falar sobre o belíssimo site novo da Liga Nacional de Basquete. Na boa, estão todos de parabéns (clica aqui e conheça).
O layout é moderno e arejado (ia escrever clean, mas vocês jamais me verão escrever cleanem um post), mas o principal não é isso. Para quem gosta de fazer post com números (eu) ou para quem gosta de acompanhar basquete como ele deve ser acompanhado, a parte de estatísticas está tinindo. Agora não é preciso mais dar 456 cliques para descobrir todas as médias de um jogador na competição, bem como das equipes.
É óbvio que ainda há muito a evoluir. Ainda é preciso dar muito scroll pra conhecer o conteúdo todo da página inicial, assuntos importantes estão esquecidos lá embaixo (como o time de colunistas e os destaques da temporada), a tabela completa dos clubes não está fácil de achar (eu não achei), as notícias ainda são muito básicas e poderia haver uma tela única para visualizarmos as estatísticas dos times (ficaria mais fácil de estudar).
Mas, como disse acima, o saldo é bem, bem positivo mesmo. Em relação ao site anterior, o que vemos agora é excelente, funcional e merece ser bastante acessado (além de tudo é um tiro certo, embora atrasado pacas – já são quase quatro anos de lançamento do NBB -, em grande parte dos consumidores de basquete do país, ou seja, a turma que vive na internet). Deste canto, além de dar novamente os parabéns, eu só espero que o lançamento do novo portal seja o começo de uma série de ações de comunicação para trazer ainda mais o público da modalidade para uma competição que cada vez mais prova ser possível organizar bons campeonatos no país.

Em crescimento, Limeira e Brasília testam força contra Pinheiros e Franca neste sábado 

Rodada bem bacana hoje pelo NBB4. Com transmissão do Sportv, a Liga Sorocabana recebe o Flamengo às 15h depois de as duas equipes terem vencido, na rodada anterior, Tijuca e Bauru, respectivamente. Mas a mim, ao menos, chamam a atenção dois outros jogos: Pinheiros x Limeira e Brasília x Franca.
Primeiro porque o Pinheiros, vice-campeão sul-americano, tem um baita elenco e irá desafiar o time mais “quente” do NBB no momento. Limeira vinha mal pacas (4-8), mas parece estar jogando o basquete que deu o título Paulista à equipe novamente. Engrenou seis vitórias consecutivas (a última, contra o Paulistano, na capital, por 79-65),  já está em oitavo na classificação e depois fará dois jogos importantes em casa (Minas e Brasília).
Depois porque Brasília e Franca reeditam a final do NBB3 tentando arrumar a casa. Os brasilienses (foto) vêm de três vitórias seguidas, parecem dispostos a encontrar o velho ritmo (Nezinho jogou muitíssimo bem contra Uberlândia na rodada passada – 35 pontos, cinco assistências e quatro rebotes) e possuem um núcleo (Nezinho, Alex, Giovannoni e Arthur) que ainda faz estrago em terreno nacional. Do outro lado está Franca, que tenta não pagar o mico monstro de ficar de fora dos playoffs do NBB (imaginem um finalista na edição anterior ficar de fora do mata-mata na seguinte…).
Por isso vale a pena ficar ligado na rodada de hoje do NBB. Tem algum palpite sobre os jogos que eu falei e sobre os outros que acontecem neste sábado (clique aqui para ver todos)? Comente na caixinha!