terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Em entrevista, Anderson Varejão fala sobre expectativa de ser primeiro brasileiro All-Star 

Anderson Varejão virou unanimidade na NBA. Ouviu Doc Rivers, técnico do Boston, falar que seu trabalho defensivo é fenomenal e que uma vaga para ele no All-Star Game não seria injusta. Viu Paul Pierce, também dos Celtics, elogiar a sua luta e seu posicionamento nos rebotes. Dirk Nowitzki, por sua vez, foi mais direto e disse que Varejão é “um animal”. Seu técnico, Byron Scott, rechaçou qualquer possibilidade de trocá-lo e colocou-o como intocável. Dan Gilbert, exigente dono da franquia Cavs, disse que ninguém tem um pivô defensivo como o Cleveland.
E tudo isso está acontecendo pelo que o capixaba tem feito em quadra depois de perder a temporada passada quase toda depois de uma grave lesão no tornozelo direito. Líder em rebotes ofensivos da liga (4,7), quinto no geral com 11,9 (maior marca de sua carreira), soberbo na defesa e agora bem mais participativo no ataque (ele registra 10,8 pontos por jogo, maior média de seus sete anos na NBA e vem de quatro partidas com 12 ou mais pontos de forma consecutiva – feito inédito), o pivô conversou com o Bala na Cesta sobre a sua primorosa temporada, sobre a chance de se tornar o primeiro All-Star brasileiro da liga e, claro, sobre a expectativa para as Olimpíadas de Londres daqui a alguns meses. Confira o papo!
BALA NA CESTA: Esperava um começo de temporada tão como o que está acontecendo com você no Cleveland Cavs?
ANDERSON VAREJÃO: Esperava poder ajudar o time, voltar a jogar com confiança, sem limitações, principalmente depois da lesão. A recuperação não foi fácil, foi lenta, exigia muita paciência, mas foi muito boa. Estava com saudade de jogar e estou feliz por estar podendo jogar bem e ajudando o time. Além disso, temos um grupo muito unido, com muitos jogadores novos, mas que está fechado, e isso ajuda bastante.
BNC: Byron Scott disse que você merece ser um All-Star nesta temporada. Dan Gilbert, o proprietário do time, te elogiou no também. Paul Pierce, Doc Rivers e Dirk Nowitzki falaram bem de você. Com toda a humildade e sinceridade do mundo, você acha que merece ser um All-Star nesta temporada?
AV: Se for chamado para o All-Star vou ficar muito feliz, claro. Agradeço a todos pelos elogios, é o reconhecimento do meu trabalho. Ia ser bacana jogar o All-Star, é um dos momentos mais importantes da temporada, mas deixo as coisas acontecerem. Se for chamado, vai ser maravilhoso para mim, para o Cleveland e para o basquete do Brasil, que nunca teve um atleta no evento.
BNC: Quem te vê em quadra nota um Anderson mais à vontade no ataque. Como foi este processo para se tornar uma arma ofensiva dos Cavs? Foi mais conversa do Byron Scott, confiança, treinamento ou os três juntos?
AV: Estou me sentindo bem, confiante, bem treinado e o esquema de jogo do time está me dando oportunidade de ser mais presente no ataque também. Não jogo para ser o cestinha nem para dar assistências (minhas funções não são exatamente estas), mas, se eu tiver espaço e condições para isso, vou fazer. Tenho conseguido pontuar, isso é importante e é fruto do que temos treinado, de estarmos executando bem as jogadas. Mas o mais importante é que tenho conseguido pegar rebotes, nossa defesa está fazendo bons jogos e isso é fundamental.
BNC: Você joga em um time em reconstrução, e já está chegando aos 30 anos. Passa pela sua cabeça ficar aí até que o Kyrie Irving seja realmente uma estrela capaz de levar o Cleveland às finais, ou jogar em um time já pronto para ser campeão mexe com você?
AV: Sinceramente não passa pela minha cabeça sair de Cleveland. Estou muito feliz aqui, perfeitamente adaptado, gosto da cidade, dos torcedores… O Kyrie é um grande jogador, ainda jovem, mas com muito potencial. O Cleveland está montando um bom time, isso vem aparecendo durante a temporada, temos feito bons jogos, ganho partidas importantes, contra adversários fortes, e nosso primeiro objetivo é buscar uma vaga nos playoffs.
BNC: Por fim, É possível deixar de pensar nas Olimpíadas a menos de oito menos dos Jogos? Como está a expectativa para jogar as suas primeiras Olimpíadas? Já pensou na dor de cabeça que o Magnano terá para armar o garrafão com você, Nenê, Tiago, Augusto e Rafael?
BNC: Ainda não penso em Olimpíadas. Não dá nem tempo. Estamos num ritmo muito intenso de viagens, jogos, a temporada é mais curta e o foco é todo no campeonato, precisamos estar concentrados o tempo todo. Espero estar na lista do Magnano, quero muito disputar as Olimpíadas, ainda mais depois de sofrer tanto de fora acompanhando o Pré-Olímpico de Mar del Plata. Se 2011 foi um ano complicado para mim, por causa da contusão, ao menos fico feliz que tenha sido um ano de ressurgimento para a nossa seleção brasileira, que se classificou com méritos. Temos um grupo de jogadores muito bom, alguns jovens apareceram bem nas últimas competições e ver o Magnano com uma dor de cabeça dessas é ótimo para o Brasil.

Da Prancheta: Kobe Bryant já é o quinto maior cestinha da história da NBA 

28.601 – São os pontos que Kobe Bryant, este gênio aí da foto, tem em sua carreira na NBA. Com os 28 marcados ontem na derrota dos Lakers para o Philadelphia por 95-90, cidade em que nasceu o camisa 24, é bom lembrar, ele ultrapassou Shaquille O’Neal (28.586) e agora é o quinto maior cestinha da liga norte-americana em todos os tempos, atrás apenas de Wilt Chamberlaim (31.419), Michael Jordan (32.292), Karl Malone (36.928) e Karrem Abdul-Jabbar (38.387).
O mais bacana foi que depois do jogo, em entrevista à Espn, o próprio Shaq tenha elogiado e parabenizado Kobe pelo seu feito (é bom lembrar do histórico de brigas e confusões da dupla).
A questão, agora, é saber se Kobe Bryant tem fôlego para alcançar Wilt e Jordan para chegar à terceira colocação entre os maiores cestinhas. Não me parece algo impossível, não, já que Kobe faz uma média de 2.000 pontos por temporada (em média), e, aos 33 anos, ainda teria três ou quatro anos de alto nível no basquete.
Será que ele consegue?

Com o fim de mais uma Liga Sul-Americana, as lições que devem ser aprendidas 

Terminou a Liga Sul-Americana, e o Obras Sanitárias acabou dando o décimo-primeiro título à Argentina em 16 edições da competição. Concordo inteiramente com os que dizem que o hexagonal final, disputado em Buenos Aires, não pode ser avaliado apenas pelo lado técnico da coisa (a organização foi terrível, atletas passaram mal e desde o primeiro dia o ginásio apresentou problemas bizarros), mas há lições que o basquete brasileiro pode tirar. Vamos lá:
Quem viu os jogos exibidos pelo Sportv nesta fase final conseguiu notar uma carga tática muito grande nos times argentinos. O Atenas, por exemplo, com um elenco não mais que razoável em termos técnicos, conseguiu emparelhar jogos contra Flamengo e Pinheiros (com jogadores muito melhores), e o Obras, o campeão da Liga, demonstraram que, sim, é possível jogar basquete de alto nível no continente.
Insisto: independente da qualidade técnica dos dois times (o Obras é realmente um baita elenco), pudemos ver ataques cadenciados, pouca precipitação nos arremessos (quantas vezes havia situação de desequilíbrio contra a defesa e o jogador de ataque, na posse da bola, não arremessou tresloucadamente?), trocas incessantes de passes e marcação-carrapato do melhor nível. Isso, claro, sem falar em variações ofensivas e defensivas em curtíssimos espaços de tempo. Foi assim que o Obras, de Julio Lamas, fez o poderoso ataque do Pinheiros anotar apenas nove pontos no segundo período da decisão de domingo.
É bem verdade, também, que nos últimos quatro anos Brasil e Argentina dividiram os títulos da Liga Sul-Americana, mas terminar uma análise sobre a qualidade tática (do basquete) entre os dois países desta maneira seria reducionista e simplista demais. O que se vê, em quadra, ainda é um abismo muito grande entre os dois gigantes do continente. Não custa nada aprender um pouco com os hermanos. 

Calendário da Confederação retira todos os Brasileiros Sub19 de 2012 

Você já leu aqui que desde que a “nova” gestão da Confederação Brasileira assumiu a CBB e já deixou de realizar 11 campeonatos de base desde 2010. É um fato lastimável, mas com tudo que é ruim pode piorar, vamos lá: quem acessa o “Calendário” do site oficial da entidade se espanta muito ao não ver NENHUMbrasileiro Sub19 de base para o ano de 2012 (veja só aqui).
Não vou nem falar sobre os Brasileiros Sub17 que acontecem daqui a menos de um mês e não tem definidas as sedes até agora, nem sobre o que seria o tal “Giro nas Federações” em ano pré-eleição na CBB e muito menos sobre o investimento maciço no Basketball 3 on 3 (o que é isso?), porque aí vocês diriam que eu estou de marcação com a nobre Confederação, mas de verdade eu não consigo entender como uma instituição pensa que deveria zelar pelo basquete brasileiro acha que não organizando os brasileiros Sub19 (a última categoria antes da adulta, pensaram nisso?) a situação melhorará por aqui.
Sinceramente, é uma miopia que assusta, assusta muito, mas obviamente não surpreende. Carlos Nunes, o atual presidente, parece não estar muito preocupado com a sustentabilidade do basquete brasileiro, e muito menos em melhorar a situação degradante em que se encontra a base deste país. É bom lembrar que em 2013 há eleição na entidade máxima, e os presidentes de Federação costumam não gostar muito quando suas seleções ficam de fora das competições da CBB (ou seja, além de ser uma péssima em termos técnicos, não ter os brasileiros de base pode ser tenebroso politicamente para Nunes)
Procurada por este blogueiro, a assessoria de imprensa da CBB enviou um simplista “até a próxima semana teremos uma definição”.