quarta-feira, 13 de abril de 2011
Bye, Bye Brasil - Rodrigo Silva
Aos 20 anos, Rodrigo Silva, conhecido como pirulito entre os amigos, tem impressionado em Wyioming (ele está por lá desde 2010). Com média de 13,2 pontos, 9,6 rebotes, 4,7 tocos e ótimos 55% nos tiros de quadra em seu primeiro ano no Laramie County College (é mais um brazuca que está em Junior College), o sergipano de 2,08m já chama a atenção de universidades grandes (houve cinco convites da divisão I até aqui), que querem contar com seu talento. O Bala na Cesta foi conversar com Rodrigo, tão tímido quanto educado (“um cara simples que gosta de treinar e descobrir novas oportunidades”, diz), para a seção "Bye, Bye, Brasil".BALA NA CESTA: Você saiu do Brasil após ter treinado por algum tempo no Pinheiros. Como foi esse período, o que você aprendeu por lá e quais foram os conselhos que te deram?

RODRIGO SILVA: Foi o período mais importante da minha carreira até agora. Tive a oportunidade de treinar com os melhores jogadores do Brasil (Josuel, Marquinhos, Olivinha etc.) e com um dos melhores técnicos do país (CláudioMortari). Tive a sorte de ter grande amizade com alguns jogadores, e um deles foi o Olivinha, que me deu muitos conselhos bons e sempre me ajuda nas dificuldades. Sou muito grato ao clube.
-- Como é a sua vida aí nos EUA? Poderia contar um pouco mais do seu dia-a-dia?
-- A vida nos EUA é muito diferente da que eu tinha no Brasil. Aqui temos uma rotina que nunca muda: treinos na parte da manhã, aula e outro treinamento no fim da tarde. Depois de jantar eu volto ao ginásio para chutar - é assim quase todos os dias. Meu projeto é ficar aqui nos próximos quatros anos para me formar aqui nos EUA. É uma oportunidade única, e só depois disso conseguirei escolher em que lugar jogar.-- Dentro e fora de quadra, o que você verifica de mais diferente entre o basquete brasileiro e o norte-americano? Poderia citar exemplos?
-- Os americanos são muito individualistas dentro e fora de quadra. A grande diferença entre o basquete brasileiro e o norte-americano é a individualidade - aqui nos EUA eles jogam bastante no um contra um. A minha maior dificuldade foi quando cheguei, pois não sabia falar inglês e para piorar as coisas ainda perdi as malas com toda a minha história no basquete (uniformes de clubes, por exemplo). Com certeza os primeiros seis meses foram os mais difíceis da minha carreira.
-- Dentro de cinco anos, em que patamar você quer estar em sua carreira?Conseguiria descrever este "mundo ideal"? E sobre seleção brasileira, você pensa?-- Meu “mundo ideal” para daqui a cinco anos seria assim: já estaria formado (o mais importante para mim) e estaria atuando por algum time da NBA. É assim com qualquer atleta que joga basquete, não é? Além disso, em termos de seleção brasileira, te digo que é o sonho de todo jogador. Mas neste momento estou focado apenas em conseguir entrar em uma boa faculdade de Divisão I aqui nos EUA.
BATE-BOLA
Uma frase: “Pra quem tem pensamento forte, o impossível é questão de opinião”
Uma palavra que odeio: DesistirUm ponto que tenho que melhorar em quadra: Vontade
Uma qualidade fora de quadra: Amizade
Um defeito: Achar que eu não sou capaz
Uma mania: Tenho mania de brincar o tempo inteiro
Um sonho: Jogar na NBA
Uma cidade: Aracaju
Um ídolo: Olivinha
Um lugar: Pinheiros
Uma comida: Feijoada
Quando penso no Brasil, penso em: Poder jogar de novo no Pinheiros
Das coisas do Brasil, sinto mais falta da: Família
Um livro: Transformando Sonho em Ouro, do Bernardinho
Um filme: O Homem que Copiava
Uma música: Pensa em mim que eu to pensando em você, Darvin
Um amigo(a): Isabella
Um momento triste: Perder a final do Juvenil para o Paulistano
Um momento feliz: Quando vi minha namorada nos EUA
Um técnico: Cláudio Mortari
terça-feira, 12 de abril de 2011
Alto-falante

"Estamos muito bem porque nosso time é excelente, o ambiente é ótimo e por aqui não há idiotas - e em se tratando de NBA isto pode ser considerado uma raridade"
A frase é de Carlos Boozer, ala-pivô do Chicago Bulls, soltando o verbo antes dos playoffs. Vale lembrar que o jogador passou pelo Utah Jazz, e não mantinha boa relação com grande parte do elenco. Frase desnecessária, não?
Desvendando as Federações
Em ótimo trabalho, o repórter Fábio Aleixo publicou ontem no Lance! um pouco do que aconteceu na eleição da Federação do Mato Grosso. Houve de tudo (até intervenção judicial), e obviamente não chega a surpreender em absolutamente nada (embora continue a entristecer).Quem acompanha razoavelmente o basquete sabe que se na Confederação Brasileira a palavra transparência já não impera, nas federações o buraco é ainda mais embaixo (no pior sentido da palavra). E a tendência, sem querer ser ainda mais negativo, é piorar (isso sem falar no que tem ocorrido no Ceará e no que também aconteceu em Santa Catarina). Em breve haverá a eleição no principal pólo de basquete do país (São Paulo), e o clima promete esquentar. Antonio Chakmati vai tentar permanecer (eternizar?) no cargo, apesar do que não tem sido feito em suas últimas (hummm...) duas ou três gestões.
Pode parecer bobagem falar nisso, mas é na mão dos presidentes de Federações que está o basquete brasileiro. Em 2013 haverá nova eleição na CBB (e aqui vale lembrar os 16 que votaram em Carlos Nunes em 2009: ES, PR, SC, RS, SE, AL, PE, PI, TO, MS, RO, AC, GO, DF, MS e SP), e o colégio eleitoral é formado... pelos dirigentes recém-empossados (ou reeleitos) em suas federações. Como pedir para que o COB, Ministério dos Esportes e Ministério Público acompanhem os pleitos é pedir demais, só nos resta fiscalizar para saber se tudo andará nos trilhos nos Estados. Ao contrário do que diz aquele deputado, pior do que está pode ficar.
O jogo do ano em Joinville
Um dos motivos pelos quais não curto esse regulamento dos playoffs do NBB3 (1-2-1-1) é o que pode acontecer hoje com Joinville, equipe que teve a sétima melhor campanha do campeonato (e a terceira entre os que não disputam o Interligas): encurralado após perder na estreia da pós-temporada em Belo Horizonte, o time de Alberto Bial não pode pensar em outra coisa que não a vitória contra o Minas nesta noite no Ivan Rodrigues (20h).Vi o jogo 1, e por mais que a turma de Joinville possa reclamar da arbitragem (como todos podem reclamar das arbitragens por aqui, né - são sempre terríveis), o fato é que os comandados de Bial não podem oscilar tanto em tão pouco tempo (a montanha-russa de sábado, que teve momentos de time de primeira e outros de quinta categoria, foi surreal). Se no primeiro duelo o fator psicológico não ajudou, é bom manter a cabeça no lugar nesta terça-feira, porque com 0-1 a parte mental pode, aí sim, derrubar a equipe de vez.
Para evitar que a temporada termine ainda esta semana, o clube acionou as redes sociais e o site oficial para convocar a torcida a lotar o Ivan Rodrigues. Nada mais justo. O Minas é um time bem treinado por Nestor Garcia e se abrir 2-0 dificilmente perderá a série. Para usar uma expressão de um personagem que Alberto Bial tanto gosta (Francisco Horta, ex-presidente do Fluminense), hoje é "vencer ou vencer" para Joinville.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
E o vencedor é...
Rogério Matos, de Salvador (Bahia), levou a camisa do Olivinha. O sorteio, auditado pela Balassiano's Young & Family, contou com mais de 300 nomes - recorde do blog. Obrigado a todos, e mais promoções virão.
Alto-falante
"Antes eu me divertia em quadra em todas as partidas. Agora, não. Sinto-me feliz apenas em alguns jogos, e tenho que encontrar o caminho da alegria novamente. É normal que você não esteja 100% animado todas as vezes. É assim com Lionel Messi ou Rafael Nadal"A frase é de Ricky Rubio, armador do Barcelona, em entrevista ao El Periódico, jornal espanhol. No mesmo papo, o jogador do Barça, que sábado perdeu do Real Madrid por 77-72 (terceira derrota consecutiva dos catalães), também falou sobre seu terrível problema nos arremessos: "Quando um chute não cai, fico meio alucinado para que acerte o próximo e acabo produzindo um efeito devastador sobre mim. Quanto mais quero que as bolas entrem, pior eu vou". Que fase, hein.
A lição de Tom
Todo mundo sabe que Derrick Rose (39 pontos na vitória de ontem sobre Orlando Magic) será escolhido o MVP da temporada. Mas o artífice por trás da campanha do Chicago (segunda melhor da liga com 60-20) não deve ser esquecido - principalmente pela história que carrega consigo. Aos 53 anos, Tom Thibodeau é, sim, o maior responsável por transformar os Bulls de um time bom para um time excepcional. E vale lembrar: ele é estreante na função (e o terceiro com maior número de vitórias como "calouro" das pranchetas).A história de Tom (53 anos) começa em 1981, quando ele se formou na Salem State University (em Massachusetts). Ficou três anos como assistente-técnico, em 1984 assumiu como treinador principal, mas não se sentia preparado. Voltou ao cargo de auxiliar em Harvard, até que foi chamado por Bill Musselman para ser seu assistente não então novata franquia de Minnesota em 1989. Ficou por lá quatro anos, um outro em Seattle, até que encontrou John Lucas em San Antonio. Foi com ele, Lucas, que aprendeu os segredos da defesa. Entre 1994 e 1996, Tom esteve com os Sixers, e lá chamou a atenção de Jeff Van Gundy.
Com os Knicks entre 1996 e 2003 sua carreira começou a decolar. Ele montou o esquema de um time que chegou à decisão na temporada 1998-1999 (em 2000-2001 foram 33 jogos consecutivos sem que seu time levasse 100 pontos ou mais) e seguiu Van Gundy em Houston, novamente montando a melhor defesa da liga. Contratado pelo Boston Celtics em 2008, Tom teve a mesma missão: ajudar aquele punhado de veteranos a defender e a vencer. E conseguiu. Em seu primeiro ano foi campeão com a retaguarda menos vazada do certame (90,3 pontos por jogo) e no último levou a final até o último minuto do sétimo jogo. Ali, ele disse, havia chegado a hora de comandar uma equipe como técnico principal. Ou seja: Tom Thibodeau passou 27 anos como assistente até que, enfim, assumisse o cargo de treinador. Uma vida, não?É óbvio que Tom Thibodeau tem mérito por ter enchido a paciência para Rose evoluir nos arremessos, por ter dito a Luol Deng que ele não era mais um menino inexperiente na NBA (um recado claro para ele ser o que é hoje - mais consistente e melhor defensor) e por ter feito o Chicago defender como não se defende na liga há mais de uma década (é a segunda defesa menos vazada com 91,2), mas a lição por trás de todo o sucesso é a preparação que Tom teve para assumir um cargo tão importante assim. Para quem, como o basquete brasileiro, está tão acostumado a ver jogadores saindo das quadras diretamente para pilotar as pranchetas (sem a menor preparação), é uma bela lição. O troféu de técnico do ano será o mais justo de todos quando David Stern viajar para Illinois no começo da pós-temporada.
Aconteceu nas finais da Copa Nordeste
Terminou ontem, com título do Sport-PE (vitória por 93-49 sobre o Campinense), a Copa Nordeste, cuja fase final foi disputada em Recife. Com o resultado, o rubro-negro pernambucano irá jogar a Super Copa Brasil, que pode garantir duas vagas no NBB4. Mas nem tudo são flores.De acordo com relatos do ótimoPortal Basquete Pernambuco, houve de tudo um pouco. O time de Cabo Branco, da Paraíba, viajou com apenas cinco atletas (e o pior: sem verba, eles tiveram que dormir, de favor, na casa de amigos de Recife). O Campinense, também da Paraíba, com nove. Nada disso tira o mérito do Sport-PE, que voltou a investir na modalidade com força, mas cujas vitórias vieram com acentuada margem de diferença (média de 37,6 pontos). O técnico Rildo Accioly (foto), disse o seguinte após o título de ontem: "Chegamos a abrir 25 pontos de vantagem ainda no 1º quarto de jogo (contra o Campinense)".
Não é uma tarefa fácil, mas a Confederação precisa agir de forma mais forte na Copa Brasil, única competição que ainda organiza no cenário nacional (considerando que a Liga Feminina não é mais dela, certo?). Houve um sem número de W.O., jogos com diferença de pontos absurdas e nenhuma cobertura diferenciada do site da entidade (nem as fichas dos atletas está lá). Já passou da hora de ajudar a fomentar o basquete, não passou, CBB?
domingo, 10 de abril de 2011
Já participou da promoção para ganhar a camisa de Olivinha, do Pinheiros? Clique aqui, saiba como e boa sorte.
Vai uma grande
Aos seus lugares
Como o Rodrigo disse bem no Rebote, já conhecemos os 16 classificados para os playoffs da NBA desta temporada (o Memphis Grizzlies, que nunca venceu um jogo de mata-mata em sua história, está de volta - desde 2005 não chegava à pós-temporada). Quem também está lá é o Indiana Pacers, pela primeira vez desde 2006.Por ora, o que vale é saber como ficarão os duelos dos playoffs. Chicago Bulls (Leste) e San Antonio Spurs (Oeste) já conquistaram as suas conferências, mas disputam, agora, o primeiro lugar geral (os texanos têm uma derrota a menos - 19, contra 20 de Derrick Rose e companhia). No Leste, Boston e Miami ainda brigam pela segunda colocação, e Knicks e Sixers, pela sexta. No Oeste, Lakers, Dallas e Thunder lutam para ficar com a vice-liderança, e Portland, New Orleans e Memphis, do sexto ao oitavo lugares.
Hoje, em Los Angeles, os Lakers, que vêm de quatro derrotas consecutivas (em nenhuma delas converteu mais de 90 pontos), enfrentam o Thunder (três vitórias seguidas - duas contra o Denver, provável adversário nos playoffs). Em Miami, os Heat recebem os Celtics. E em Memphis, os Grizzlies medem forças com os Hornets. Ou seja: ninguém pode pensar em tirar o pé.Para não ficar em cima do muro, acho que Lakers e Celtics ficam em segundo no Oeste e Leste, o Knicks com a sexta colocação e o Portland leva a melhor sobre Memphis, que, por sua vez, supera os Hornets. E você, o que acha? Comente na caixinha!
A primeira brasileira campeã da Euroliga
O Salamanca/Avenida não tomou conhecimento dos quatro troféus seguidos do Spartak Moscou, bateu as rivais por 68-59 e conquistou o primeiro título da Euroliga para o clube (de quebra, quebrou um jejum para os espanhóis que já durava 18 anos - desde 1993, com o Valência). A pivô Érika de Souza, fundamental na defesa, teve seis pontos e quatro rebotes para se tornar a primeira brasileira campeã da Euroliga.
Não foi um jogo fácil, mas o Avenida poderia ter "fechado" a partida com mais tranquilidade. Na metade do terceiro período vencia por 17 pontos, quando o técnico Lucas Mondelo decidiu trocar, de uma só vez, Sancho Lyttle (12 pontos, 13 rebotes e na minha opinião a MVP das finais da Euroliga) e Érika. A diferença caiu para seis pontos (Taj McWilliams anotou oito pontos seguidos), mas parou por aí. A jovem Silvia Dominguez, com 16 pontos, foi a cestinha das campeãs.
Parabéns ao Salamanca/Avenida, e principalmente a Érika de Souza, melhor jogadora brasileira nos últimos cinco, seis anos. Ela merece o troféu e mais reconhecimento por aqui. Sua carreira é brilhante tanto na Europa quanto na WNBA (ela, agora, possui título nos dois continentes - já foi campeã com o Los Angeles Sparks).