segunda-feira, 25 de abril de 2011

MEDICINA ESPORTIVA
23/04/2011 19:08 h

Ruptura do Tendão do Atleta é uma fatalidade? 
Em 99% das vezes não. Todo dia ouvimos falar de uma amigo ou atleta que sofreu uma lesão do tendão calcâneo (Aquiles, nome antigamente utilizado). A cena é muito comum quando o atleta, durante um arranque ou corrida de velocidade, sente uma dor de forte intensidade na região posterior da região da perna, normalmente ocorrem duas lesões mais comuns: lesão muscular do gastrocnêmio medial e ruptura do tendão calcâneo. Ambas apresentam características distintas de tratamento.

Quais seriam as causas mais freqüentes das lesões tendíneas?

 A tendinose ou degeneração do tendão, é a principal causa, quando o tendão sofre por dentro um desgaste acentuado ao longo de vários anos de atividade
 tendinite prévia, inflamação prévia, o atleta sente uma dor antes de sofrer a lesão durante algum período (“sempre que jogava sentia uma dor no tendão !!)
 Condicionamento físico, atletas de fins de semana ou em recuperação da forma física são os mais acometidos, geralmente entre 25 a 50 anos de idade
 Uso de anabolizantes para ganho de força muscular, o tendão não acompanha este aumento e acaba sofrendo uma sobrecarga até romper
 Tabagismo e álcool - existe forte associação nos casos de ruptura tendinosa
 Causas traumáticas – acidentes de carro, ferimentos por arma de fogo e cortes na região
Figura demonstrando a estrutura macroscópica de um tendão
A característica das rupturas tendíneas envolvem atletas, principalmente do sexo masculino, entre 25 e 50 anos, com inflamação prévia, com tendinose do local e condicionamento deficiente, principalmente atletas de fim de semana.

A lesão muscular na panturrilha com ruptura total necessita de tratamento prolongado, sem cirurgia. Normalmente, o tratamento envolve repouso, ficar sem apoio do pé no chão por uma a duas semanas, dependendo da dor, medicação analgésica e fisioterapia intensiva por 4 a 8 semanas. O retorno ao esporte ocorre em seis a oito semanas.

A ruptura do tendão calcâneo completa, separação total entre os cotos da lesão, também pode ser tratada sem cirurgia, normalmente o atleta utiliza imobilização com gesso por quatro semanas , mais três com robofoot e volta a pisar com seis a oito semanas da lesão. A recuperação total ocorre em torno de cinco a sete meses. A cirurgia para tendão calcâneo nos atletas envolve hoje em dia, um aspecto muito importante que a transferência de outro tendão para reforçar o tendão rompido, normalmente, no caso da lesão do tendão calcâneo, transferimos o tendão fibular curto ou o flexor longo dos dedos. A recuperação pode ocorrer em torno de cinco a sete meses também.

O que diferencia o atleta profissional é o suporte diário de fisioterapia. O indivíduo normal faz de três a cinco horas por semana , mas o atleta chega a 10 a 15 horas por semana.

Outro ponto importante a utilização do plasma rico em plaquetas, ou fator de crescimento, com parte do tratamento, injeção de um preparado de sangue do próprio paciente na lesão. Estudos recentes demonstram que pouco valor agrega ao resultado do tratamento (valor semelhante ao uso de um placebo), Devido ao alto custo recomendamos não utilizar de rotina pois a literatura demonstra alto índice de falha com este tratamento, semelhante à cartilagem de tubarão ou rumalon. Dois artigos abaixo recentes demonstram a ineficácia do uso do plasma rico em plaquetas. É claro que todos estamos procurando um método para que o atleta se recupere logo de uma lesão, mas infelizmente ainda não é o PRP.

Dorsey RE et al, Platelet-Rich Plasma Injection for Chronic Achilles Tendinopathy: A Randomized Controlled Trial, JAMA 2010

Scepull T et al, Autologus PRP has no effect on Achilles human tedon rupture healing. A prospective blind study. Am J Sport Med 2011
Como médico do esporte precisamos entender e tratar as causas da lesão tendínea para que o atleta não sofra outra lesão semelhante e se recupere por completo.

Não compre gato por lebre. A ruptura do tendão não é na maioria das vezes uma fatalidade.


Carlos Vicente Andreoli – Chefe do Centro de Traumato-Ortopedia do Esporte da UNIFESP e Médico da Clínica For Athletes

Fernando César Raduan – Coordenador do Grupo de Pé do Centro de Traumato-Ortopedia do Esporte da UNIFESP. Médico da Clínica For Athletes
Carlos Vicente Andreoli
andreolicruz@uol.com.br