quinta-feira, 19 de abril de 2012

Aos 41 anos, veterano Josuel luta contra a balança para voltar ao basquete profissional


No dia 2 de agosto de 1996, Josuel (na foto de Luiz Setti) teve nove pontos e três rebotes no último jogo olímpico da seleção masculina de basquete. O duelo que marcou a despedida de Oscar Schmidt da seleção contra a Grécia (derrota por 91-72) abriu o longo jejum de 16 anos longe dos Jogos e colocava aquele pivô de 26 anos como uma das grandes promessas da modalidade (11,9 pontos e 7,4 rebotes na competição).
Dezesseis anos se passaram, Josuel foi campeão por quase todos os clubes que passou, e teria terminado a sua carreira no Pinheiros com um currículo de fazer inveja a muita gente por aí (aos 40 anos, ele jogou o NBB3 depois de uma cirurgia para reconstruir a parte óssea do calcanhar).
Mas, aos 41 anos, o pivô de 2,08m ainda diz que “tem lenha para queimar” e que a sua carreira ainda não acabou. No primeiro Spa médico do mundo, localizado em Sorocaba, cidade em que moram seus pais, o ex-camisa 12 da seleção luta contra a balança e o peso da idade para voltar às quadras. Já perdeu 13kg desde que chegou há duas semanas e segue rigoroso programa para chegar aos 110kg, seu peso ideal (hoje ele está com 131,8kg). Em seu dia há duas ou três atividades físicas e cinco refeições que, somadas, não chegam a 900 calorias/dia (“é tipo comida francesa: pouquinho no prato”, garante).
“Só está acontecendo coisa boa comigo e encaro esta etapa como uma oportunidade para recomeçar. Não estou passando fome, não estou triste, nada. Tento não fazer planos, mas eu quero voltar a jogar basquete, a minha paixão, o quanto antes. Tenho uma esposa e um filho de dez anos que me dão apoio, e se tudo correr bem no Paulista eu estarei em quadra. Falando, porém, ninguém acredita em mim e eu sei que preciso mostrar que estou bem. Quero voltar ao peso ideal e fazer alguns treinos para, aí sim, decidir em que time jogarei”, afirmou Josuel em contato telefônico com o blog em que admitiu um único arrependimento em sua vida: “Não deveria ter parado de estudar na adolescência (parei na sétima série). Agora é muito, muito mais difícil. Em 2009 fiz o segundo grau, depois comecei a faculdade (até o segundo período de educação física), mas tive que parar depois que saí de Paulo. De todo modo, minha ideia é terminar a universidade o quanto antes”.
Josuel é um dos grandes do basquete brasileiro, e sinceramente torço para que a sua luta contra a balança seja vencida por ele. Se ele garante que ainda tem muita lenha para queimar, quem sou eu para duvidar. Sorte pra ele!